“Tinha 15 anos quando descobri que tinha embolia pulmonar. Era o ano de 1999 e sentia muita dor no braço, falta de ar e cansaço. Tive o problema de saúde duas vezes: a primeira em casa, no pulmão esquerdo, e a segunda eu já estava internada para tratar uma trombose venosa profunda nas duas pernas. Foi uma embolia que afetou todo pulmão direito e fiquei 17 dias na UTI.

Como era muito nova já tinha ido ao pediatra, alergista, ginecologista e as dores só pioravam e não tinha um diagnóstico. Passei a sentir falta de ar porque já tinha tido a primeira embolia pulmonar em casa e os especialistas pensavam que podia ser asma ou alergia. Depois de três semanas indo a vários consultórios médicos, já não esticava mais as pernas e tinha dificuldade de andar. Meus pais me levaram para o pronto-socorro onde diagnosticaram a trombose e a primeira embolia pulmonar. Fiquei deitada o tempo todo e mesmo assim tive uma trombose que fechou a artéria pulmonar direita.  

Durante o tratamento permaneci deitada e tomando medicamento na veia até dissolver o coágulo. Descobri que tenho trombofilia (tendência a trombose) e a ginecologista passou um anticoncepcional sem fazer exames para saber se eu era uma paciente de risco. Eu tomei por cinco dias, o que foi o suficiente para ter trombose profunda nas duas pernas – na esquerda eu tinha menos de 30% de circulação quando cheguei ao hospital - e duas embolias pulmonares. 

Como sequela fiquei com a artéria pulmonar direita afetada e por isso não posso engravidar. Conversei muito com os médicos e fiz a cirurgia de laqueadura no ano de 2012. Foi uma decisão difícil, mas mesmo não tendo filhos sei dos riscos que uma gravidez traria e no meu caso não posso usar nenhum tipo de anticoncepcional.  Quando adoeci quase perdi o ano escolar e vou precisar tomar anticoagulante o resto da vida. Hoje tenho uma rotina de cuidados que incluem remédios como o anticoagulante, exercícios físicos e respiratórios, alimentação saudável. Quando vou viajar preciso usar meia calça de compressão e injeções de anticoagulantes”. 

Thais Jacinto Ribeiro, 32 anos, publicitária