“Fui diagnosticada com câncer de ovário em dezembro de 2013, já em estágio 4, incluindo metástases no fígado, intestino, pulmão e peritônio. Os sintomas que tive foram sensação de inchaço na barriga, cansaço e distúrbios gastrointestinais. Todos eram muito sutis, jamais poderia supor que se tratava de câncer. Os exames de rotina na área ginecológica não são preventivos para o câncer de ovário. E os meus estavam em dia. Tinha feito papanicolau e ultrassonografia transvaginal e o câncer não tinha sido detectado. Somente apareceram alterações na tomografia, ressonância magnética e pet scan, que são exames solicitados pelo médico somente quando há fortes indícios acerca da doença, pois são exames caros.

Minha reação ao receber essa notícia foi de susto, na verdade fui até uma emergência de hospital perto de casa, imaginando se tratar de uma distensão abdominal, pois nos dias anteriores havia pedalado muito, e mudei móveis de lugar, fazendo força e pegando peso.  Contei para meus pais de forma natural, pois na ocasião não tinha noção da gravidade e nem do que eu e eles iríamos sofrer. Realizei a quimioterapia antes e depois da cirurgia. Fiz histerectomia total (retirada de ovários, trompas e útero). Mas infelizmente não tenho filhos. 

O tratamento é bombástico! Eu tive muitas internações, problemas com a baixa imunidade, várias pneumonias, infecções na pele e trombose venosa.  Minha saúde atualmente se encontra em cuidados médicos, isso porque após oito meses que finalizei a quimioterapia, tive recidiva da doença e foi preciso refazer o tratamento.  Estou na luta. Desistir jamais”

Aline da Fonseca Sampaio, 40 anos, advogada, mora no Rio de Janeiro