Vício em jogos eletrônicos e azar: origens e consequências

Última atualização feita por Eduardo Queiroz

em 12.06.2024

O fascínio pelos jogos permeia a história e a cultura humana, evoluindo de simples passatempos para complexas plataformas digitais que capturam a atenção de milhões ao redor do mundo. No entanto, o que para muitos é uma forma de entretenimento e socialização pode se transformar em um problema grave de saúde mental para outros. O vício em jogos eletrônicos e de azar, embora muitas vezes invisível, carrega consigo uma série de sintomas e consequências que afetam profundamente a vida dos indivíduos e de suas famílias. Neste texto, exploraremos as causas que levam uma pessoa a desenvolver esse tipo de dependência e os sintomas que podem indicar quando uma diversão inofensiva se transforma em um vício destrutivo.

O que é o vício em jogos?

Vício em cassinos

O vício em jogos, incluindo tanto os jogos de azar quanto os eletrônicos, caracteriza-se por um padrão de comportamento persistente e recorrente que interfere negativamente nas áreas da vida do indivíduo. Muito mais do que um hobby ou entretenimento casual, quando se torna um vício, os jogos passam a dominar a rotina diária, deixando pouco espaço para outras atividades produtivas.

Principais tipos de vícios em jogos

Vício em jogos de azar

O vício em jogos de azar é uma forma de dependência comportamental onde o indivíduo se sente compelido a continuar jogando apesar das consequências negativas. Frequentemente comparável ao vício em substâncias devido aos seus efeitos no cérebro, este transtorno pode ser devastador. Os jogos de azar envolvem atividades como apostas em cassinos, jogos de loteria e apostas esportivas. Os jogadores com vício em jogos de azar costumam perseguir o “grande prêmio” ou tentar recuperar suas perdas, numa espiral que pode levar à ruína financeira.

Vício em jogos eletrônicos e games

Diferentemente dos jogos de azar, o vício em jogos eletrônicos frequentemente atrai indivíduos pela experiência imersiva e pela fuga que proporciona da realidade. Este vício envolve o uso excessivo de videogames, computadores e dispositivos móveis em jogos que são projetados para serem engajantes e muitas vezes viciantes. O jogador compulsivo de videojogos pode passar horas a fio diante das telas, negligenciando necessidades básicas como alimentação, sono e higiene pessoal.

Causas e Sintomas

Ambos os tipos de vício em jogos podem ter raízes em questões como baixa autoestima, depressão, ansiedade ou outros problemas de saúde mental. Muitas vezes, os jogos são usados como uma forma de escapar desses problemas, criando um ciclo vicioso difícil de quebrar. Os sintomas frequentes incluem

O isolamento social é um sintoma comum e significativo. À medida que o vício se aprofunda, o indivíduo pode se retrair de amizades e atividades sociais, preferindo interagir virtualmente ou passar seu tempo em ambientes de jogo. Problemas financeiros também são prevalentes, especialmente entre aqueles viciados em jogos de azar, onde as dívidas podem se acumular rapidamente.

O tratamento para esses vícios pode variar, mas geralmente inclui terapia, medicação para tratar quaisquer problemas subjacentes de saúde mental, grupos de apoio e, em casos mais sérios, internação em clínicas especializadas. Reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda profissional são passos essenciais para a recuperação.

O que o vício em jogos pode causar?

Este problema, muitas vezes silencioso até que as consequências se tornem visíveis, tem o poder de desestruturar a existência de quem se vê capturado por suas malhas. Vejamos mais detalhadamente os danos que ele pode causar:

1. Destruição Financeira. Os problemas começam quando os jogadores começam a utilizar dinheiro que não podem perder. Isso inclui usar economias que deveriam ser destinadas a despesas essenciais, como aluguel, hipoteca, contas ou educação. Em casos mais extremos, dívidas podem ser acumuladas, levando a empréstimos e situações onde as taxas de juros exacerbam ainda mais o problema. 

2. Impactos na Saúde Mental. O vício em jogos opera de maneira que o estresse e a ansiedade estão frequentemente presentes no dia a dia do jogador. Essa constante preocupação se deve à pressão para recuperar perdas ou à expectativa de ganhar grande. Com o tempo, o ciclo de vitórias e derrotas e a incerteza associada exacerbam os níveis de estresse, levando a uma constante sensação de ansiedade. Quando os jogadores se veem presos nessa montanha-russa emocional, eles podem começar a exibir sintomas físicos de ansiedade, como problemas de sono, dificuldades de concentração e tensão muscular.

A depressão é outra consequência significativa do vício em jogos. Ela pode se desenvolver como uma reação ao isolamento social que muitos jogadores experenciam. À medida que o vício se intensifica, muitas vezes, o indivíduo tende a se afastar de amigos e família, perdendo o interesse em atividades que antes lhe davam prazer. A perda de relacionamentos significativos e o sentimento de solidão podem intensificar o estado depressivo. Além disso, a incapacidade de parar de jogar, mesmo ciente dos prejuízos causados à própria vida, pode levar a sentimentos de desesperança e desamparo, pilares centrais da depressão.

A situação se agrava quando o vício e a depressão se alimentam mutuamente, criando um ciclo difícil de ser quebrado. O jogo pode ser uma tentativa de escapar dos sentimentos de tristeza e inutilidade, mas as consequentes perdas podem aprofundar ainda mais a depressão. Essa dinâmica pode se tornar um círculo vicioso, onde o vício em jogos alimenta a depressão, e a depressão, por sua vez, empurra o indivíduo de volta ao jogo como forma de alívio temporário.

3. Relações Sociais Comprometidas. Jogadores compulsivos tendem a gastar quantidades exorbitantes de tempo em ambientes virtuais, o que reduz significativamente suas interações face a face com amigos e familiares. Esse afastamento muitas vezes é gradual, onde a pessoa começa a recusar convites para atividades sociais ou familiares por preferir continuar jogando. Este comportamento pode levar a um isolamento cada vez mais severo, onde o indivíduo se sente mais à vontade no mundo virtual dos jogos do que no mundo real, perdendo assim, a habilidade de se engajar socialmente de forma efetiva.

O vício em jogos pode causar sérios conflitos nos relacionamentos. Discussões sobre a quantidade de tempo e dinheiro gastos em jogos são comuns, e podem escalar para conflitos mais graves. Familiares e amigos podem se sentir negligenciados ou secundarizados em relação aos jogos, gerando sentimentos de ressentimento e mágoa. Quando os jogadores enfrentam críticas ou tentativas de limitar seu comportamento de jogo, eles podem reagir de maneira defensiva ou agressiva, exacerbando ainda mais as tensões existentes.

Esses conflitos podem levar a rupturas significativas. Relacionamentos de longa data, tanto românticos quanto de amizade, podem ser terminados devido às tensões causadas pelo vício. Familiares podem se sentir desamparados, frustrados com a incapacidade de ajudar ou alterar o comportamento destrutivo do jogador, o que pode levar a uma decisão dolorosa de se distanciar ou até mesmo cortar laços, buscando proteger a própria saúde emocional e bem-estar.

Como acontece o vício

O caminho para o vício em jogos geralmente começa de maneira inocente, como um simples entretenimento ou uma forma de escapismo. Aqui estão os passos comuns que marcam a evolução para o vício:

Este conhecimento é fundamental para buscar ajuda no momento certo, antes que as consequências se tornem irreversíveis.

Sintomas de vício em jogos

Identificar se alguém está sofrendo de vício em jogos muitas vezes requer a observação atenta de amigos e familiares, pois eles estão mais aptos a notar as mudanças comportamentais significativas. Os sinais indicativos de um problema com jogos incluem:

  1. Alocação excessiva de recursos como energia, tempo ou dinheiro aos jogos;
  2. Colocar os jogos como uma prioridade máxima, muitas vezes descuidando de outras áreas importantes da vida;
  3. Necessidade crescente de jogar por períodos mais longos para alcançar a mesma satisfação;
  4. Problemas para manter o foco;
  5. Dificuldade em controlar as emoções, frequentemente manifestando descontrole durante o jogo;
  6. Redução nas habilidades sociais;
  7. Comportamento cada vez mais impulsivo;
  8. Desconforto físico, como dores musculares decorrentes de longos períodos na mesma posição, ou dores de cabeça e náuseas após horas diante de telas;
  9. Acumulação de dívidas devido aos gastos com jogos;
  10. Pensamentos obsessivos sobre jogos, que podem afetar a capacidade de estar presente e funcional em outras situações;
  11. Sentimentos de ansiedade quando impossibilitado de jogar;
  12. Utilização do jogo como uma forma de escapar de emoções negativas ou estressantes;
  13. Mentiras sobre o tempo dedicado aos jogos;
  14. Tendência ao isolamento social como consequência do tempo gasto jogando.

Estes sintomas são indicativos de que o envolvimento com jogos pode ter evoluído para um vício, necessitando de intervenção para ajudar a pessoa a recuperar o equilíbrio em sua vida.

Como tratar o vício em jogos?

Como tratar o vício em jogos

O tratamento do vício em jogos, incluindo jogos de azar e apostas, exige uma abordagem multifacetada, que pode variar conforme a severidade e as circunstâncias pessoais do indivíduo. Essa jornada para a recuperação pode ser desafiadora, mas é essencial para resgatar a qualidade de vida e restaurar as relações deterioradas.

Psicoterapia

A psicoterapia figura como uma das pedras angulares no tratamento do vício em jogos. Ela permite que o indivíduo explore as causas subjacentes de seu comportamento e aprenda estratégias para lidar com situações que desencadeiam a compulsão por jogos. Métodos como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) são eficazes para modificar pensamentos e comportamentos problemáticos. 

Medicamento

Embora não exista um medicamento específico para tratar o vício em jogos, certos medicamentos prescritos podem ajudar a controlar os sintomas de co-morbidades, como depressão e ansiedade, que muitas vezes acompanham esse transtorno. Esses medicamentos atuam como suportes de uma ponte, estabilizando a estrutura emocional do indivíduo enquanto ele trabalha nas questões subjacentes.

Clínicas de reabilitação

Para casos mais graves, onde o indivíduo não consegue interromper o ciclo vicioso por conta própria, as clínicas de reabilitação oferecem um ambiente controlado e suporte contínuo. Esses centros são semelhantes a um retiro, onde o paciente pode se afastar das tentações e pressões diárias, dedicando-se integralmente à sua recuperação com o apoio de profissionais especializados.

Grupos de apoio

Os grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos oferecem um espaço seguro onde os indivíduos podem compartilhar experiências e conquistar apoio mútuo. A dinâmica do grupo ajuda a fortalecer a resiliência e a manter a motivação para a mudança. 

O tratamento do vício em jogos requer uma combinação de intervenções psicológicas, apoio médico, programas de reabilitação e grupos de apoio. 

As semelhanças entre o vício em jogos e a dependência química

O vício em jogos de azar e apostas, embora frequentemente menos visível do que a dependência química, compartilha muitas características fundamentais com esta última. 

Primeiramente, tanto o vício em jogos quanto a dependência química envolvem a perda de controle sobre o comportamento. Para o jogador compulsivo, cada aposta parece uma oportunidade para reverter perdas anteriores, uma esperança sempre renovada de reparação, similar à busca incessante por mais uma dose que um dependente químico enfrenta. Nesse sentido, o jogo e a substância química atuam como falsas soluções para aliviar estresse ou escapar de realidades dolorosas, fixando o indivíduo em um ciclo de repetição que dificulta a saída sem ajuda externa.

Ademais, a dependência, seja ela química ou de jogos, afeta profundamente o cérebro. Estudos mostram que ambos os tipos de vício alteram as áreas cerebrais responsáveis pelo controle dos impulsos e pela tomada de decisões. Isso leva a uma busca contínua pela atividade viciante, apesar das crescentes consequências negativas—uma clara manifestação de comportamento desadaptativo.

As consequências sociais também são comparáveis. Relacionamentos são frequentemente sacrificados pelo tempo e dinheiro investidos na dependência. A confiança de amigos e familiares se deteriora à medida que a rede de suporte do indivíduo se esvai, levando a um isolamento progressivo que agrava ainda mais o problema.

Referências

Perguntas Frequentes

Vício em jogos é uma doença?

Sim, o vício em jogos é reconhecido como uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), categorizado como um distúrbio mental devido à sua natureza compulsiva e aos danos significativos que pode causar. Essa classificação ajuda na compreensão e no tratamento da condição.

Como controlar vício em jogos?

Controlar o vício em jogos envolve várias estratégias, muitas das quais são similares às utilizadas para tratar outras dependências. A busca por ajuda profissional é essencial. Terapias comportamentais e o apoio de grupos como Jogadores Anônimos podem oferecer o suporte necessário para lidar com o vício. Além disso, é importante a reestruturação do cotidiano, evitando situações que estimulem o desejo de jogar.

Como saber se uma pessoa é viciada em jogos?

Identificar um viciado em jogos pode ser desafiador, mas alguns sinais são indicativos, como o investimento de tempo excessivo em jogos, a incapacidade de parar ou reduzir o jogo, crescentes dívidas por conta de apostas, e comportamento secreto ou defensivo em relação às suas atividades de jogo. Além disso, alterações no humor, especialmente irritabilidade e ansiedade quando impedido de jogar, são fortes indicadores.

A compreensão desses aspectos é crucial para reconhecer a gravidade do vício em jogos e sua equivalência às dependências químicas. Com tratamento adequado e apoio contínuo, indivíduos que sofrem deste vício podem recuperar o controle sobre suas vidas e reconstruir suas relações, retomando seu caminho em direção a uma vida saudável e produtiva.

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