Viviane Ferreira - Sobrevivente do câncer de mama
   Viviane Ferreira - Sobrevivente do câncer de mama

Na primeira vez eu senti um nódulo o meu seio e por isso começamos a investigar. Foi um choque e não queria acreditar. Eu tive muito medo do que viria pela frente e de passar pelo mesmo que minha mãe estava passando. Tive que realizar a mastectomia bilateral e reconstrução. Porém, não precisei retirar a pele do seio. Também fiz a quimioterapia e a radioterapia. Na segunda vez, também foi muito difícil, ter o câncer de novo dá muito medo, é apavorante achar que ele pode sempre voltar e que aquilo que eu havia feito antes não trouxe a cura definitiva. 

Nessa segunda vez, minha filha já tinha sete anos e entendia um pouco das coisas. Expliquei a ela que ia precisar tomar novamente o remédio que faz o cabelo cair. Fui cortando o cabelo aos poucos para que eu e minha família pudéssemos nos acostumar e, quando o cabelo começou a cair, já estava bem curtinho, então foi mais fácil encarar a careca! Me divertia com os lenços coloridos e diversas amarrações. Precisei fazer a retirada de uma parte da pele e do tecido superficial do seio e, portanto, um enxerto para repor esse tecido e pele. Também tive que fazer novamente a quimioterapia.

Quando o tratamento do primeiro câncer terminou, em 2009, eu estava com uma autoestima alta, me valorizei. Eu me divorciei logo que o tratamento acabou e foi muito bom para mim. No segundo câncer, a cirurgia e as questões estéticas afetaram um pouco a autoestima. Porém, durante o tratamento, eu cuidei da energia com reiki e psicoterapia. Tive também grande apoio do meu segundo marido, familiares e amigos e colocava lenços e roupas muito coloridas, me maquiava e me sentia muito bem.

Comecei então a escrever e a colocar todos os meus sentimentos no papel, expressar minhas dores. Foi daí que nasceu a ideia do livro ‘Vivificar, superando o imponderável’ lançado em outubro de 2015, quando entrei em contato com sentimentos profundos e percebi que poderia ajudar outras pessoas.  Atualmente a minha saúde está ótima!  Terminei todo o tratamento e nesse momento faço exames semestrais para acompanhar. 

É importante que a mulher com esse diagnóstico saiba que é um tratamento que tem começo, meio e fim.  É importante ter um médico em que se confie, pois o câncer é uma doença grave que precisa de cuidados e tratamentos intensos, mas não é uma sentença de morte. Ter o apoio da família nesse momento é fundamental”. 

Viviane Ferreira, 43 anos, palestrante, escritora e planejadora financeira pessoal.