“Recebi o diagnóstico da doença com 37 anos, em 2007. Estava no Grau II, invasivo, com 1 cm. Minha mãe tinha sido diagnosticada apenas seis meses antes e estava em tratamento quimioterápico. Chorei ao ler o resultado na tela do computador. Mas imediatamente telefonei para minha médica e já traçamos todas as estratégias para o combate: qual tipo de cirurgia, data, tipo de quimioterapia, e recursos. Optei pelos tratamentos mais drásticos para tentar eliminar o máximo possível a possibilidade de recidiva. Realizava exames preventivos com frequência e não tinha sintomas. 

Tive que realizar adenomastectomia bilateral (procedimento cirúrgico), mas foi por escolha própria, eu poderia ter feito somente um quadrante, mas preferi não arriscar. Também fiz quimioterapia mais forte por escolha própria. O tratamento afetou muito a minha autoestima. Farei uma nova cirurgia para trocar as próteses e reconstruir a mama que teve o tumor. Demorei todo este tempo porque o câncer mudou minha vida e tive coragem para refazê-la. Até me divorciei e encontrei um novo amor.

Tomei remédio por cinco anos após a cirurgia e atualmente a minha saúde está ótima. Após o término do tratamento, para perder o peso ganho por causa da quimioterapia comecei a correr e virei corredora. Corro 10km geralmente três vezes por semana e estou treinando para minha primeira maratona. Além disso, faço terapia semanalmente.

Aprendi que não adianta tentar encontrar os porquês. Eu sempre tive uma vida saudável, sem cigarro, sem bebida, com alimentação impecável e até então achava que meu casamento era feliz. Após o câncer e o tratamento descobri a urgência de viver. De ver meus filhos crescendo e ser feliz. Meu parceiro na época não aguentou essa crise e acabamos nos divorciando. Mas tudo passa! Essas fases vêm para nos tirar da nossa zona de conforto e mostrar como somos fortes. Esta doença não é para qualquer um. É para pessoas especiais que vão usar o câncer para tornar a vida simplesmente inesquecível”.

Alessandra Fiorini, 46 anos, publicitária