Amanda Cabral Vieira Benites
   

Sempre paguei o plano de saúde, mas eles me negaram a cobertura do tratamento, pois ele teve que ser feito em um hospital de São Paulo e na época eu morava no interior do Paraná. Entrei na justiça e consegui que eles pagassem tudo. Eu me descobri quando fiquei careca, foi a melhor fase. No meu imaginário tinha que sofrer por isso, porque todo mundo sofria, mas me peguei me amando careca e carrego essa bandeira da aceitação. 

Teve outro caso de câncer de ovário há mais de 50 anos na minha família, mas o teste genético provou que não tenho a mutação dos genes BRCA1 e BRCA2. Entrei na menopausa muito cedo, mas lido muito bem com a incapacidade de gerar filhos biológicos, pois acredito que ser mulher é muito mais profundo que ter filhos, útero ou cabelos. Estou com o câncer controlado há quase dois anos e acredito que falta informação sobre esse tipo de tumor. Quando se recebe esse diagnóstico, tudo é assustador, mas é preciso confiar nos especialistas e saber que um dia tudo vai passar”

Amanda Cabral Vieira Benites, 24 anos, tradutora e mestranda, São Paulo