Dr. Ricardo Caponero – Diretor do CATSMI do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, membro do Conselho Científico do Instituto Viver Hoje.

Instituto Viver Hoje: Quantas mulheres são diagnosticadas no Brasil por ano com câncer de mama? Pode citar os estágios e fatores de risco?

Dr. Ricardo Caponero: Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer – INCA/ Ministério da Saúde, para 2018 e 2019 serão diagnosticados 59.700 casos novos para cada ano, o que corresponde a 29,5% dos casos de câncer em mulheres. Em geral a doença estágio 1 é que que está localizada apenas na mama. No estágio 2 a doença acomete os linfonodos regionais. No estádio 3 a doença encontra-se mais avançada, mas ainda localizada, e no estágio 4, a doença já se espalhou pelo corpo, com metástases. Os fatores de risco são o sexo feminino, a idade, história pessoal de câncer de mama, história familiar de câncer de mama ou de ovário, principalmente em parentes de primeiro grau; obesidade, vida sedentária, tabagismo, não ter tido filhos, primeira menstruação muito cedo ou menopausa tardia.

IVH: Quais são os maiores desafios em tratar câncer de mama no Brasil?

RC: Conseguir um diagnóstico precoce, em fases iniciais da doença, onde as chances de cura são maiores. Conseguir um tratamento rápido e conseguir acesso a todas as medicações disponíveis, quando necessário.

IVH: O que mudou de uma década para hoje em relação a tratamento (avanços)?

RC: A cirurgia se tornou menos mutiladora, com mais cirurgias conservadoras e menos casos de esvaziamento axilar. A radioterapia se tornou mais precisa e com menor número de aplicações. Surgiram novos tratamentos quimioterápicos, novas formas de manipulação hormonal e a terapia de alvo molecular.

IVH: Quais os grandes desafios que a paciente do SUS enfrenta?

RC: Demora no início do tratamento e acesso às melhores opções.

IVH: Como avançar para que um maior número de pacientes sejam detectadas precocemente?

RC: Conscientizando as pacientes da importância do diagnóstico precoce e da importância da realização periódica da mamografia, mesmo quando o autoexame e o exame clínico são normais.