Alimentação e câncer – parte 2
   Alimentação e câncer – parte 2

Dúvidas relacionadas a alimentação e câncer:

Posso comer carne de porco durante o tratamento, ou atrapalha o processo de cicatrização?

Não há nenhuma base científica sobre a relação do consumo da carne porco e o processo de cicatrização. As alegações de que atrapalham o tratamento fazem parte da cultura alimentar da população, mas sem evidências. A carne de porco, que é a mais consumida no mundo, é rica em vitaminas do Complexo B, principalmente B6 e B12. A dica é que os pacientes prefiram carnes de porco magras, como o lombo, e que ele seja assado. O problema da carne de porco mal passada ou crua é que pode transmitir a cisticercose.

E carne vermelha? Ela aumenta o tumor?

A ingestão de carne vermelha tem sido relacionada à predisposição para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, principalmente de intestino. As nitrosaminas – compostos produzidos a partir de nitritos e aminas – são conhecidas como agentes carcinogênicos e estão presentes em vários gêneros alimentícios, como frutos do mar, queijos e nas carnes vermelhas.
No entanto, durante a quimioterapia não há uma restrição específica para a carne vermelha. Além disso, não existe essa ideia de ela aumentar o tumor. O que se preconiza é o consumo moderado, sem a necessidade de retirar o alimento por completo das refeições. O problema não é a carne vermelha, em si, mas a quantidade ingerida, que deve ser de até 300g por semana, o que equivale a cerca de três bifes grandes. Atenção: por semana!

Chá verde deve ser evitado durante a químio?

O chá verde é comumente consumido como forma de contribuir para a prevenção do câncer por ser rico em flavonoides, atuando na ação antioxidante, antiinflamatória, antirreumática e anticâncer (protegendo o sistema de reparo do DNA). Contudo, durante o tratamento quimioterápico o chá verde pode prejudicar a eficácia de algumas drogas. É importante ressaltar que são necessários mais estudos sobre este tema. Na dúvida, consulte seu oncologista sobre a ingestão da bebida.

O paciente não pode comer graviola?

A graviola deve ser evitada, pois o seu consumo durante o tratamento é tóxico para o fígado e rins. Como qualquer medicamento, as plantas não devem ser usadas indiscriminadamente, pois os princípios ativos que são benéficos para uma determinada doença podem ser danosos ou sem efeito para portadores de outras. O chá da folha da graviola tem sido popularmente divulgado, sem que haja estudos científicos relevantes sobre a utilização do mesmo.

Gengibre é recomendado para pacientes em quimioterapia?

O gengibre é um aliado do paciente em tratamento quimioterápico. Ele tem ação antiemética (alivia enjoos, náuseas e vômitos) e antiinflamatória. Estudos corroboram com a indicação de que uma colher de chá de gengibre pode diminuir as náuseas associadas ao tratamento de quimioterapia, efeito presente em torno de 70% dos pacientes.

Alguns efeitos colaterais mais frequentes são como enjoos, vômitos, perda do apetite e dificuldade para mastigar e engolir os alimentos, podem dificultar a alimentação. Modificar a preparação do  alimento é é uma opção para facilitar a mastigação e a deglutição, como preparações mais pastosas, temperatura adequada e evitar condimentos irritantes da mucosa do esofágica e gástrica. 

Evite os alimentos industrializados como enlatados e embutidos e as frutas, verduras e legumes contaminados por agrotóxicos, preferindo as versões orgânicas. Isto porque eles possuem produtos químicos como agrotóxicos, bisfenol A (usado na indústria dos plásticos), alguns edulcorantes, conservantes, metais tóxicos (arsênico, chumbo, mercúrio, alumínio) e estas substâncias vêm sendo estudadas como potenciais promotores de alguns tipos de câncer. 

Muitos estudos têm observado que vários compostos chamados de bioativos (polifenóis, flavonóides, carotenóides, glicosinolatos) encontrados em alimentos vegetais como hortaliças, legumes, verduras, frutas, cereais integrais e sementes têm um efeito protetor (diminuidor do risco) contra alguns tipos de câncer. 

Estes compostos bioativos estão presentes nos pigmentos que dão cor aos vegetais, por isso quanto mais cores diferentes (laranja, verde, amarelo, roxo, vermelho) estiverem presente na alimentação diária do paciente, mais benefícios serão alcançados. Invista em saladas bem coloridas pelo menos duas vezes ao dia. 

Um outro fator é o aumento do stress oxidativo, trata-se da elevação da produção de substâncias chamadas radicais livres, desencadeado dentro do nosso organismo pelo próprio câncer e também muitas vezes pelos medicamentos quimioterápicos em uso. Para diminuir o impacto da elevação desta excessiva oxidação celular é importante que a alimentação seja rica em antioxidantes como: selênio (oleaginosas como castanhas, avelãs, amêndoas), vitamina C (laranja, limão, acerola, goji berry, goiaba) e vitamina E (abacate, gérmen de trigo, óleos vegetais como azeite extra virgem).

Realce o paladar: a quimioterapia e a radioterapia, quando realizada na região de cabeça e pescoço, destroem as células das glândulas salivares e papilas gustativas, o que diminui a salivação e a percepção do gosto dos alimentos. Especialistas também acreditam que o próprio tumor pode aumentar a produção de moléculas chamadas interleucinas, que estão presentes em processos inflamatórios. "Elas provocam alterações no sistema nervoso central, o que deixa um gosto metálico na boca". Para deixar o paladar mais aguçado, procure enxaguar a boca com água ou chá de camomila antes das refeições. "Se não existirem feridas na boca, balas azedas ou ácidas e alimentos ácidos também realçam o paladar, assim como manjericão, orégano, hortelã e outros temperos naturais". Já para aliviar o gosto metálico, substitua os talheres de metal por aqueles de plástico.

Decidir ter um estilo de vida mais saudável, após o diagnóstico de um câncer, é, muitas vezes, uma importante mudança de vida. Para a maioria das pessoas, uma dieta equilibrada inclui:

As bebidas devem ser principalmente água, chá e café (sem adição de açúcar), ou bebidas dietéticas sem açúcar, como refrigerantes e sucos.

Frutas e Legumes: são uma boa fonte de muitas vitaminas e minerais, além de uma grande fonte de fibras.  Tente comer pelo menos cinco porções de frutas e vegetais por dia. Comer de forma variada vai garantir que você está recebendo uma ampla gama de nutrientes.

Alimentos ricos em amido e fibras: alimentos como pão, cereais, arroz, massas, inhame e batata, são essenciais numa dieta saudável. Eles são fonte de energia e uma grande fonte de fibras, ferro e vitaminas do complexo B. – Alimentos ricos em fibras são uma opção saudável. Tente incluir uma variedade de alimentos ricos em fibras em sua dieta, como pão integral, arroz integral, aveia, feijões, ervilhas, lentilhas, grãos, sementes, frutas e legumes. Ter uma dieta com abundância de alimentos ricos em fibras, pode ajudar a reduzir o risco de câncer de intestino. A fibra encontrada em alimentos, como aveia, feijões e lentilhas, pode ajudar a reduzir o colesterol no sangue.

Proteína tem funções, como a reparação e crescimento das células do corpo. Vários estudos sugerem que comer muita carne vermelha (boi, porco, cordeiro e vitela) e processada (salsichas, bacon, salame, carnes enlatadas, presunto) pode aumentar o risco de desenvolver câncer de intestino e de próstata. O maior risco parece ser para as pessoas que comem duas ou mais porções de carne vermelha ou processada (cerca de 160g) por dia. As pessoas que comem menos de duas porções por semana (cerca de 140g) parecem ter um risco menor.

Um pouco de gordura na nossa dieta nos ajuda a absorver as vitaminas A, D, E e K, e nos fornece ácidos graxos essenciais que não podemos produzir nós mesmos. Mas a maioria das pessoas come muita gordura. Os alimentos ricos em gordura também são ricos em energia (calorias), comer uma grande quantidade de gordura pode fazer você engordar. Existem diferentes tipos de gordura como, por exemplo, a gordura saturada. A gordura saturada pode aumentar os níveis de colesterol no sangue e aumentar o risco de doença cardiovascular. Os alimentos que são ricos em gordura saturada incluem queijo, manteiga, hambúrgueres, salsichas, biscoitos, bolos, tortas, bolos sorvetes e chocolate. Atualmente se sugere que os homens não ingiram mais do que 30 g, e as mulheres mais do que 20 g de gordura saturada por dia. Tente sempre utilizar o guia nutricional dos rótulos dos alimentos.

As dietas ricas em sal podem aumentar o risco de desenvolvimento de câncer de estômago. Diminuir o consumo de sal ajuda a baixar a pressão arterial, e o risco de doenças cardíacas e derrame. A quantidade máxima recomendada de sal para adultos é de 6 g por dia, ou cerca de uma colher de chá. Quando pensamos sobre a quantidade de sal que comemos, costumamos pensar em quanto colocamos no preparo da comida ou ao cozinhar. Mas cerca de três quartos (75%) do sal que consumimos vem de alimentos processados, como pão, bacon, lanches.

Mitos e verdades da alimentação do paciente oncológico

Alguns mitos também podem confundir a alimentação adequada do paciente com câncer, como segue abaixo:

Mito: Após cirurgias a cicatrização pode ficar prejudicada se comer carne de porco, peixes e ovos.

Verdade: Não existe oficialmente esta recomendação pela nutrologia.

Mito: Evitar alimentos ácidos durante a quimioterapia.

Verdade: Apenas nos casos de câncer na região da boca, faringe e esôfago, após radioterapia nestas regiões, os alimentos ácidos podem causar desconforto. Nos casos de quimioterapia não há esta recomendação.

Mito: A beterraba pode substituir a carne vermelha para tratar a anemia.

Verdade: Embora seja um alimento saudável, ela não tem o mesmo teor de ferro quando comparada à carne vermelha.

Mito: Comer carne vermelha pode aumentar o tamanho do tumor.

Verdade: Existe correlação de uma dieta rica em carne vermelha com maior risco de desenvolver câncer do aparelho digestivo. Para diminuir este risco o ideal é limitar a ingesta até 300 gramas por semana. Porém, já estando com câncer e fazendo tratamento do mesmo, a carne vermelha não piora a doença.

Experimente

  • Mingau de aveia.
  • Torradas.
  • Biscoitos integrais.
  • Bolachas cream cracker.
  • Alimentos frios.
  • Sucos de frutas, frutas em pedaços.
  • Água de coco.
  • Gelatinas e sorvetes de frutas.
  • Iogurte.
  • Raspadinha de gelo.

Evite

  • Alimentos quentes.
  • Alimentos gordurosos.
  • Alimentos fritos.
  • Alimentos muito doces.
  • Condimentos, pimentas.
  • Alimentos com odores fortes.

Dicas importantes

Antes da quimioterapia

  • Ingerir lanche ou refeição antes de iniciar a sessão de tratamento.
  • Exercícios (caminhadas, natação, bicicleta estacionária) são vantajosos para o apetite e o bem-estar. Interrompa temporariamente se ficar fatigado, e se desenvolver febre ou infecção.

Depois da quimioterapia

  • Deixar na geladeira lanches já preparados, caso se sinta indisposto ao final da radioterapia.
  • Não hesite em se alimentar tarde da noite, se o mal-estar só desaparecer neste horário.
  • Se ficar com glóbulos brancos baixos (neutropenia), evite consumir saladas, sucos e frutas ao natural, ou ovos, peixe e outros alimentos crus. Há risco de infecção. Prefira os cozidos, assados, fritos, ou industrializados.
  • Controle o peso semanalmente. Caso diminua, converse com um profissional da saúde
  • Se Náuseas, enjoos e desarranjos intestinais:
  • Evite beber líquidos durante as refeições.
  • Evite alimentos gordurosos e frituras.
  • Não fique muitas horas sem se alimentar, pois com estômago muito tempo vazio haverá aumento do enjoo.
  • Chupar picolé de fruta cítrica (por exemplo, limão) pode diminuir o enjoo.

Falta de apetite

  • Prepare pratos visualmente atrativos, bem coloridos e de consistência que facilite a deglutição pelo paciente. Acrescentar novos alimentos também ajuda no estímulo para se alimentar.
  • Coma devagar e em ambiente apropriado.
  • Faça refeições mais leves, fracionadas a cada 3 horas.

Se tiver dificuldade para engolir ou dor na boca

  • Dê preferência aos alimentos de fácil mastigação e deglutição (gelatinas, mingau, purês, suflês, pudins). Sucos e vitaminas de frutas batidas no liquidificador são opções interessantes.
  • Fazer bochechos com solução de bicarbonato de sódio a 3% após cada refeição pode diminuir a acidez da boca e diminuir a dor bucal.
  • Evite alimentos muito ácidos, muito salgados e condimentos picantes.
  • Alimentos de consistência muito dura também podem atrapalhar.