Fatores de risco e doença coronária
   Fatores de risco e doença coronária

Diversos estudos clínicos importantes identificaram vários fatores que aumentam o risco de doença da artéria coronária e de infarto do miocárdio. As artérias coronárias (ou coronarianas) são responsáveis por levar o sangue e o oxigênio (fundamentais para a vida das células do coração), e quando entupidas podem levar ao infarto (morte das células cardíacas) ou angina (dor no peito por causa da falta de sangue e oxigênio nas células do coração). A dor de angina do coração é similar àquela que se manifestaria por exemplo em uma perna amarrada por um forte torniquete, por um tempo prolongado, tornando-a pálida e escurecida por falta de circulação.  Os principais fatores de risco são os que as pesquisas mostram que aumentam significativamente o risco de doença cardíaca e vascular (cardiovascular). Outros fatores associam-se a aumento do risco de doença cardiovascular, mas sua significância e frequência ainda não foram precisamente determinadas. São chamados fatores de risco contribuintes. A via final, como consequência desses fatores de risco, é a formação da placa de ateroma (conforme a ilustração) que em um determinado momento pode vir a obstruir o fluxo sanguíneo.

A medicina identificou vários fatores de risco. Alguns deles podem ser modificados, tratados ou controlados; outros, não. Quanto mais fatores de risco você tiver, maior sua chance de desenvolver doença coronária. Igualmente, quanto maior o nível de cada fator de risco, maior o risco. Por exemplo, uma pessoa com colesterol total de 300 mg/dl tem maior risco que alguém com um colesterol total de 245 mg/dl, embora todos com um colesterol total acima de 240 sejam considerados de risco aumentado.

Quais são os principais fatores de risco que não podem ser mudados?

Aumento da idade — Mais de 60% das pessoas que morrem de doença coronária têm 65 anos ou mais. Em idades mais elevadas, as mulheres que têm infartos do miocárdio têm maior probabilidade de morrer do que os homens, no curto-médio prazo.

Sexo masculino — Os homens têm um risco maior de infarto do miocárdio do que as mulheres e têm infartos do miocárdio mais precocemente na vida. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa de morte das mulheres por doença cardíaca aumenta, ela não é tão grande quanto a dos homens.

Hereditariedade (incluindo raça) — Filhos cujos pais têm doença cardíaca, têm maior probabilidade de desenvolver também as doenças. Os americanos de raça negra têm hipertensão arterial mais grave que de raça branca ou caucasiana e risco mais alto de doença cardíaca. O risco de doença cardíaca também é mais elevado em descendentes de hispânicos, nos índios americanos e em alguns descendentes de asiáticos radicados nos EUA. Isto se deve, em parte, a taxas mais altas de obesidade e diabetes. A maioria das pessoas com fortes antecedentes familiares de doença cardíaca tem um ou mais dos outros fatores de risco. Assim como você não pode controlar sua idade, sexo e raça, não pode controlar sua história familiar. Portanto, é ainda mais importante tratar e controlar quaisquer fatores de risco que você possua!

Quais são os principais fatores de risco que se podem modificar, tratar ou controlar por mudança do estilo de vida ou por uso de medicação?

Tabagismo — O risco de os fumantes desenvolverem doença coronária é de 2 a 4 vezes a dos não-fumantes. O tabagismo é um fator de risco independente poderoso para morte súbita cardíaca em pacientes com doença coronária; os fumantes têm cerca de duas vezes mais risco que os não-fumantes. O tabagismo também atua com outros fatores de risco para aumentar grandemente o risco de doença coronária. As pessoas que fumam charutos ou cachimbo parecem ter um risco aumentado de morte por doença coronária (e possivelmente derrame cerebral - AVC), mas seu risco não é tão grande quanto o dos que fumam cigarros. A exposição ao fumo de outras pessoas aumenta o risco de doença cardíaca até para os não-fumantes (também chamados de fumantes passivos).

Colesterol alto no sangue — À medida que se eleva o colesterol no sangue, ocorre o mesmo com o risco de doença coronária. Quando outros fatores de risco (tais como hipertensão arterial e tabagismo) estão presentes, este risco aumenta ainda mais. O nível de colesterol de uma pessoa também é afetado por idade, sexo, hereditariedade e dieta.

Hipertensão arterial — A hipertensão arterial aumenta a sobrecarga do coração, fazendo que ele fique mais espesso e mais rígido. Também aumenta seu risco de AVC, infarto do miocárdio, insuficiência renal e de insuficiência cardíaca congestiva (também chamada falência ou enfraquecimento do coração). Quando existe hipertensão arterial com obesidade, tabagismo, níveis altos de colesterol no sangue ou diabetes, o risco de infarto do miocárdio ou AVC aumenta várias vezes.

Sedentarismo — Um estilo de vida sedentário é um fator de risco para doença coronária. Atividade física regular moderada a intensa ajuda a prevenir doença cardíaca e vascular. Quanto mais vigorosa a atividade, maiores os benefícios. No entanto, até atividades de intensidade moderada ajudam, se feitas regularmente e por longo prazo. Os exercícios podem ajudar a controlar o diabetes e a obesidade, elevar a fração boa do colesterol (HDL), bem como ajudar a reduzir a pressão arterial em algumas pessoas. O exercício também tem um impacto muito importante na motivação para mudanças de hábitos e controle nutricional, assim como no estresse emocional.

Obesidade e sobrepeso — As pessoas que têm excesso de gordura corporal — especialmente se grande parte estiver na cintura — têm maior probabilidade de desenvolver doença cardíaca e derrame cerebral (AVC), mesmo que não tenham outros fatores de risco. Excesso de peso aumenta o ‘trabalho’ do coração. Também eleva a pressão arterial e o colesterol e os níveis de triglicerídeos, e reduz o colesterol HDL (‘bom’ ou ‘protetor’). Também pode tornar maior a probabilidade de desenvolvimento de diabetes. Outro aspecto é a associação de sobrepeso e apneia do sono, um outro fator de risco para doenças cardiovasculares. Muitas pessoas obesas e com sobrepeso podem ter dificuldade em perder peso. Mas, perdendo não mais que 5 kg, você pode reduzir seu risco de doença cardíaca.

Diabetes mellitus — O diabetes aumenta seriamente seu risco de desenvolver doença cardiovascular. Enquanto os níveis da glicemia (açúcar no sangue) estiverem sob controle, o diabetes aumenta em certo grau o risco de doença cardíaca e derrame cerebral (AVC), mas os riscos são ainda maiores se a glicemia não estiver bem controlada. Cerca de três quartos das pessoas com diabetes morrem de alguma forma de doença cardíaca ou vascular. Se você tem diabetes, é extremamente importante trabalhar com seu profissional de saúde para controlá-lo e controlar qualquer outro fator de risco que você tenha.

Quais outros fatores contribuem para o risco de doença cardíaca?

Estresse — A resposta individual ao estresse pode ser um fator contribuinte. Alguns cientistas observaram uma relação entre risco de doença coronária e estresse na vida da pessoa, seus comportamentos sobre saúde e condições socioeconômicas. Estes fatores podem influenciar  fatores de risco estabelecidos. Por exemplo, pessoas sob estresse podem comer excessivamente, começar a fumar ou fumar mais do que o fariam em outras circunstâncias.

Álcool — Beber demais pode elevar a pressão arterial, causar insuficiência cardíaca (fraqueza do coração) e levar ao derrame cerebral (AVC). Pode contribuir para triglicerídeos altos, câncer e outras doenças, além de produzir batimentos cardíacos irregulares (arritmias). Contribui para obesidade, alcoolismo, suicídios e acidentes. O risco de doença cardíaca em pessoas que tomam quantidades discretas de álcool (especialmente vinho) é mais baixo do que nos que não tomam álcool. Não se recomenda, entretanto, que aqueles que não bebem comecem a usar o álcool ou que os que bebem aumentem a quantidade do que bebem.

Baseado em premissas da American Heart Association - AHA