No dia 27 de setembro, é comemorado o Dia Mundial do Doador de Órgãos. Esta data tem como objetivo chamar a atenção de todos e mostrar que ser um doador é salvar vidas. Estudos apontam que o número de transplantes vem aumentando a cada ano no país, o que reflete uma maior conscientização da população em relação a esse tema.

O Brasil é o segundo país do mundo em número de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo sistema público de saúde. Atualmente, um paciente pode ficar até três anos na fila de espera por um rim. Já no caso do coração e do fígado, em razão da curta expectativa de vida dos doentes, inferior a um ano.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados no final de 2013, apontaram que a disposição dos brasileiros em doar seus órgãos aumenta cada vez mais. Segundo o levantamento, a negativa para doação caiu de 80%, em 2003, para 45%, em 2012. Nos últimos dez anos, o número de doadores passou de 6,5 por milhão de pessoas para 13,5 por milhão de pessoas. Contudo, o número de doadores ainda é baixo entre os mais jovens e os idosos, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

Em 2014, a córnea foi o órgão mais doado (1416 transplantes), o que corresponde a 60% de todos os transplantes feitos no último ano. Na sequência, estão os rins (24,6%) e o fígado (3,9%).

Hoje, mais de 80% dos transplantes são realizados com sucesso, reintegrando o paciente ao trabalho e a uma vida normal.

Os tipos de doadores de órgãos:

  • Doador vivo: qualquer pessoa saudável que concorde com a doação.
  • Doador cadáver: são pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral).

Doador em vida

O doador vivo é um cidadão juridicamente capaz que, nos termos da lei, possa doar órgão ou tecido sem comprometimento de sua saúde e aptidões vitais. Deve ter condições adequadas de saúde e ser avaliado por médico para realização de exames que afastem doenças as quais possam comprometer sua saúde, durante ou após a doação.

Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores; não parentes, somente com autorização judicial.

Órgãos e tecidos podem ser obtidos de um doador vivo:

  • Fígado: parte do fígado pode ser doada;
  • Medula óssea: pode ser obtida por meio da aspiração óssea direta ou pela coleta de sangue periférico;
  • Pulmão: parte do pulmão (em situações excepcionais);
  • Pâncreas: parte do pâncreas (em situações excepcionais);
  • Rim: doa-se um dos rins (é a doação mais frequente intervivos).

Doador cadáver

A retirada dos órgãos e tecidos é realizada no centro cirúrgico do hospital e segue toda a rotina das grandes cirurgias. A retirada de córnea pode ser realizada até 6 horas após a parada cardíaca.

Veja os órgãos que podem ser doados na figura abaixo.

Transplante de órgãos

Doador: retirada de órgãos depende da autorização da família

Para ser doador de órgãos não é necessário deixar nada por escrito, mas é fundamental comunicar à família o desejo da doação. Pelas regras em vigor, a doação só se concretiza após a autorização da família, por escrito.

Considera-se como potencial doador todo paciente em morte cerebral (encefálica). No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica é definido pela Resolução 1.480/97, do Conselho Federal de Medicina, e segue padrões aceitos internacionalmente acrescidos de exigências próprias. O diagnóstico de morte encefálica é feito inicialmente pelo médico que acompanha o paciente, depois por dois médicos não participantes das equipes de captação e transplante que avaliam a integridade do tronco cerebral e finalmente é feito um exame complementar que demonstre ausência de atividade cerebral.

Após o diagnóstico de morte encefálica, a família deve ser consultada e orientada sobre o processo de doação de órgãos. A entrevista deve ser clara e objetiva, informando que a pessoa está morta e que, nessa situação, os órgãos podem ser doados para transplante.

A retirada do órgão a ser transplantado, exige, por vezes, rapidez. Coração, pulmões, fígado e pâncreas só podem ser transplantados se removidos após a morte encefálica e antes da parada cardíaca; a retirada de córneas e ossos pode ser feita até 6 horas após a parada cardíaca; e, no caso dos rins, o limite é de um máximo de 30 minutos após a parada cardíaca.

Receptores dos órgãos

Receptores dos órgãos

Os órgãos são transplantados para os primeiros pacientes compatíveis que estão aguardando em lista única da central de transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado. Esse processo, além de justo, é controlado pelo Sistema Nacional de Transplantes e supervisionado pelo Ministério Público.

  • Córneas: portadores de ceratocone, ceratopatia bolhosa, infecção ou trauma de córnea;
  • Coração: portadores de cardiomiopatia grave de diferentes etiologias (Doença de Chagas, isquêmica, reumática, idiopática, miocardites);
  • Fígado: portadores de cirrose hepática por hepatite, álcool ou outras causas;
  • Medula óssea: portadores de leucemia, linfoma e aplasia de medula;
  • Ossos: pacientes com perda óssea por certos tumores ósseos ou trauma;
  • Pâncreas: diabéticos que tomam insulina (diabetes tipo I), em geral quando estão com doença renal associada;
  • Pele: pacientes com grandes queimaduras;
  • Pulmão: portadores de doenças pulmonares crônicas por fibrose ou enfisema;
  • Rim: portadores de insuficiência renal crônica por nefrite, hipertensão, diabetes e outras doenças renais.

Só não podem ser doadores:

São critérios absolutos de exclusão de doador:

  • Infecções virais e fúngicas graves ou potencialmente graves na presença de imunossupressão, exceto as hepatites B e C;
  • Neoplasias (exceto alguns tumores primários do SNC e carcinoma in situ de útero e pele);
  • Sepse refratária;
  • Soro positividade para HIV, HTLV I e II;
  • Tuberculose em atividade.

O papel da fisioterapia e da equipe multidisciplinar

O sucesso da efetividade da doação de órgãos e tecidos depende da assistência prestada ao doador e à família, a qual envolve a infraestrutura onde o doador se encontra e, principalmente, a cooperação da equipe multidisciplinar. Além dos médicos e dos enfermeiros, é indispensável a participação de outros profissionais que poderão atuar de forma eventual ou sistemática: fisioterapeuta, nutricionista, farmacêutico, psicólogo, assistente social e outros.

O fisioterapeuta com atuação direcionada para os transplantes tem função primordial na reabilitação, trabalhando com a manutenção da qualidade de vida e segurança do paciente, capacidade funcional, muscular e desempenho físico.

Os principais objetivos da fisioterapia nos diferentes tipos de transplantes de órgãos são:

  • manter a amplitude de movimento articular e a força muscular;
  • minimizar quadro álgico;
  • prevenir as complicações decorrentes da mobilidade no leito;
  • prevenir, minimizar e tratar possíveis complicações pulmonares;
  • promover qualidade de vida.

Os pacientes com câncer, por exemplo, requerem tratamentos para: dor, mobilidade e cuidados pessoais, fadiga e fraqueza, portanto na reabilitação não apenas pode ser ofertada assistência de suporte, mas também a prevenção e a restauração da função têm criado novas expectativas para essa população. O fisioterapeuta em geral se ocupa com as questões de mobilidade e estabilidade de membros e coluna vertebral e treina os pacientes no uso de órteses e auxílios para marcha. Com frequência o fisioterapeuta também está envolvido com o manejo de dor e do edema.

Pode fazer uso de vários recursos fisioterápicos para a melhora das complicações que possam estar acometendo o paciente:

  • Na fisioterapia motora: pode ser usado a cinesioterapia para promover a reabilitação da capacidade funcional;
  • Na fisioterapia respiratória: pode fazer uso de inúmeros recursos, dentre eles pode-se citar a oxigenoterapia, a aerossolterapia, os exercícios respiratórios, os recursos manuais, os incentivadores respiratórios, a assistência à tosse, a estimulação da tosse, a drenagem postural, a aspiração de vias aéreas, o CPAP e o BIPAP.
  • Pode também fazer uso da eletroterapia como, por exemplo, a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), que é um recurso não invasivo que auxilia no alívio da dor.