Fadiga relacionada ao câncer
   Fadiga relacionada ao câncer

A fadiga pode ser confundida com cansaço físico e/ou mental resultante de esforço, com impossibilidade de continuar se exercitando na mesma intensidade e com prejuízo no resultado do desempenho. No caso de pessoas com câncer, pode incluir perda de massa muscular, descondicionamento, deficiência nutricional, distribuição de oxigênio e anemia. E esse problema pode ser tratado de maneira eficaz por uma equipe multidisciplinar.

A Síndrome da Fadiga Oncológica (SFO) é definida como uma sensação persistente e subjetiva de cansaço ou exaustão, relacionada ao câncer ou ao seu tratamento, não tendo relação com a atividade recém-executada e que interfere no cotidiano do paciente. Na atualidade, a SFO é relatada como o sintoma mais importante em câncer. A despeito de benefícios relacionados aos tratamentos de outros sintomas como dor, depressão, náusea e vômito, a SFO não tem sido adequadamente discutida. Ela se enquadra como sintoma de maior incidência dentre os pacientes com câncer - 54% aproximadamente. Ela geralmente surge durante a fase aguda do tratamento de radio ou quimioterapia, não se limitando, apenas, a este período, podendo persistir por anos após o final do tratamento.

O impacto da SFO representa limitações na vida dos pacientes e de seus cuidadores. Podem surgir sintomas como dor, angústia emocional (depressão, ansiedade), distúrbio do sono, anemia, status nutricional (peso/mudança no consumo calórico; desequilíbrio eletrolítico: sódio, potássio, cálcio, magnésio), redução de atividade e aptidão física, infecção, disfunções cardíaca, pulmonar, renal, hepática, neurológica, endócrina como hipotireoidismo. Estes sintomas podem ser de origem física, psicológica ou emocional.

Psicologicamente, a depressão e a ansiedade podem acompanhar o diagnóstico de câncer, podendo causar fadiga; enquanto que a anemia é um efeito colateral, talvez o mais poderoso, da radioterapia e da quimioterapia, contribuindo para a fadiga física.

A SFO acomete de 14% a 96% dos indivíduos com câncer, especialmente, aqueles que estiverem sendo submetidos a tratamento radioterápico ou quimioterápico. Os indivíduos podem expressar de maneiras diferentes como: dizendo que se sentem cansados, fracos, exaustos, enfastiado, desgastado, pesado ou lento. Os profissionais de saúde utilizam termos como astenia, fadiga, lassitude, prostração, intolerância ao exercício, falta de energia e fraqueza, para descrever fadiga.

Tais sintomas são fatores limitantes da capacidade funcional do indivíduo e da sua qualidade de vida, impedindo-os de realizarem suas atividades da vida diária, caminhar, mesmo por curtas distâncias, subir escadas, manter atividades sociais com familiares e amigos, manter a concentração em atividades, memorizar situações ou mesmos leituras.

Alguns estudos relatam a melhora da SFO mediante um programa de exercícios físicos. A capacidade aeróbica é um forte indicativo dos níveis de fadiga em pacientes com câncer. Em pacientes com câncer de pulmão o VO2max foi utilizado como preditor independente das complicações no período pós-operatório, após um período de tratamento com exercícios aeróbicos, os pacientes com ressecção pulmonar16,17 apresentaram melhora na captação máxima de oxigênio.

Ao final de um tratamento de dezesseis semanas, com exercício físico realizando exercícios aeróbicos, de força e flexibilidade, pacientes relaram melhora significativa no vigor físico - melhorando a capacidade aeróbica, a força e a flexibilidade;  redução na fadiga e outros efeitos colaterais do tratamento; e, ainda, melhora da qualidade de vida geral, reduzindo os níveis de angústia, melhorando o bem-estar, reduzindo a sensação física da doença e melhorando a capacidade de combater a doença.

Ainda podem ser citados outros estudos em que mulheres receberam radioterapia ou quimioterapia adjuvante para câncer de mama que eram fisicamente ativas relataram menos fadiga, mulheres em estágio I ou II de câncer de mama que participaram em um programa de caminhada durante o tratamento de radioterapia apresentaram melhora na fadiga, pacientes com câncer recebendo quimioterapia reportaram menos fadiga quando participavam de um programa de exercício aeróbico e homens com câncer de próstata recebendo radioterapia que participaram de um programa de intensidade moderada de caminhada no asilo reduziram o nível de fadiga. Esses resultados indicam que a atividade física pode ser benéfica na redução da fadiga quando associada ao tratamento de radioterapia.

Em outros estudos, após seis semanas de treinamento de caminhada na esteira, foi verificado que um programa de exercício aeróbico com intensidade, duração e frequência definidas, pode ser prescrito como terapia primária para tratamento da Síndrome da Fadiga Oncológica em pacientes submetidos a quimioterapia, que sofriam desta sequela limitante de maneira severa.